Na região da Toscana, mas longe dos campos e próximo dos alpes, a pequena localidade de Monterotondo, é uma das "frazioni", algo como um distrito, de Castelnuovo di Garfagnana. Trata-se de um vilarejo com meio dúzias de casas de pedra e uma igreja, chamada Santo Spirito. A pequena vila localiza-se há três quilometros do centro de Castelnuovo.

Os Fiori trabalhavam no cultivo de avelãs e fabricavam a chamada "farina dolce", muito usada para fazer pães, biscoitos e doces. Nos bucólicos campos desse vilarejo criam-se gado para sustento próprio das famílias.


A cidade de Castelnuovo di Garfagnana é bem antiga. Localizada na região do Valle do Serchio, seguindo o rio de mesmo nome à caminho dos gelados Alpens Apuane, já havia registros da localidade nos mapas romanos como "Caferonianu" (em exposição no Museu do Vaticano). No século IX praticava-se a profissão de tabelião no interior do "Castello Nuovo" construído junto à confluência dos rios Turrite e Serchio, e que deu nome a cidade. No século XV, os garfagnini decidiram fazer parte do ducado de Ferrara e Modena na intenção de fugir das constantes guerras entre Pisa e Lucca.

Foi quando a Rocca di Castelnuovo, ou Rocca Ariostesca (que teria sido mandada construir pela soberana do norte, Matilde di Canossa, no século XII) passou a ser residência dos governadores da província.

O século XIX foi marcado por uma intensa expulsão demográfica na Europa. O alto crescimento da população, ao lado do acelerado processo de industrialização, afetaram diretamente as oportunidades de emprego. A situaççao não foi diferente na região da Toscana. Estima-se que, entre 1870 e 1970, em torno de 28 milhões de italianos emigraram (aproximadamente a metade da população da Itália). Os destinos principais contavam com países da Europa, América do Norte e América do Sul.

Os italianos chegaram em número significativo no Brasil a partir da década de 1870. Um aspecto peculiar à imigração em massa italiana é que ela começou a ocorrer pouco após a unificação da Itália (1871), o que explica porque a identidade italiana como uma nação passou a ser desenvolvida, a partir dos imigrantes, já no Brasil.

Até meados da década de 1920, pelo menos 1,5 milhão de italianos vieram para o Brasil. Homens, mulheres e crianças, que deixaram mais de 25 milhões de descendentes, como dos Fiori.